A OBRA DOS SEUS SONHOS NÃO PRECISA SE TORNAR UM PESADELO



Você já deve ter ouvido aquela expressão “Sempre fiz assim e nunca caiu...”, certo? O conhecimento empírico e a experiência prática são, de fato, importantes e tem seu valor, porém quando nós engenheiros projetamos uma obra, isso vai muito além do “nunca caiu”. O colapso da estrutura é o mínimo exigido, o que chamamos de ELU – Estado Limite Último.

Quando projetamos uma obra levamos em consideração também o ELS – Estado Limite de Serviço. O ELS determina os parâmetros de usabilidade, conforto, qualidade e durabilidade de uma obra. Parâmetros como deformação, vibração, recalques, fissuração entre outros, são normatizados pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, através da NBR 6118 – Norma mãe dos projetos estruturais e a NBR 6120 – Norma dos projetos de fundação.

Quando os projetos estruturais e de fundações não são elaborados, a obra será super ou subdimensionada. Em ambos os casos haverá prejuízos para o proprietário, seja na fase de construção ou durante a vida útil do imóvel. Uma obra superdimensionada acarretará em maior consumo de concreto e aço e maior volume de escavação e/ou perfuração, aumentando significativamente os gastos.

danos estruturais
trinca em viga

Considerando que as fundações e a estrutura são responsáveis por aproximadamente 30% do custo total de uma obra, a otimização desses elementos é fundamental para trazer economia.

Já uma obra subdimensionada trará problemas durante a vida útil do imóvel. Ainda que não sejam imediatamente identificados na fase de construção, as deformações e recalques da estrutura continuam a evoluir por anos devido a fluência do concreto e adensamento das camadas do subsolo.

Um projeto estrutural deve garantir a integridade da estrutura por pelo menos 50 anos. Um ponto importante refere-se à orçamentação da obra com construtores. Sem esses projetos o proprietário nunca saberá o que exatamente está sendo orçado. Diferentes construtores com diferentes orçamentos estarão orçando o mesmo serviço?

Qual a profundidade e diâmetro das estacas? Elas serão armadas integralmente? Ou a fundação será em sapatas? Qual a altura das vigas? Qual a quantidade e diâmetro das barras de ferro em cada viga e pilar? Quantos pilares serão construídos? Quais as característica do concreto que será utilizado, Fck, Slamp, Tipo de agregado? Que tipo de laje será usada: treliçada, maciça, protendida, qual a espessura da laje 12, 16, 20 cm? Será aplicada armadura negativa nos pontos importantes? Será aplicada malha de distribuição?

Se essas questões, indicadas acima, e muitas outras pertinentes ao projeto estrutural e de fundações, não estiverem resolvidas antes de se orçar a obra com um construtor, dificilmente o proprietário saberá qual orçamento é de fato o mais barato, pois não haverá parâmetros de comparação, os quais são estabelecidos justamente pelos projetos.

Além do projeto estrutural e de fundações, os projetos de instalações elétricas e hidrossanitárias são imprescindíveis, pois sem eles normalmente a obra apresentará os típicos problemas relacionados à essas disciplinas, tais como: falta de pressão nos chuveiros, mal cheiro nos ralos, transbordamento de calhas, queda de tensão, desarme de disjuntores, aumento de consumo de energia, entre outros.

Pensando nisso, elaboramos 6 passos que o proprietário deve seguir a fim de garantir a qualidade, segurança e economia da obra que será executada. Passos esses, que deverão ser seguidos após a definição da arquitetura e aprovação do projeto legal na prefeitura.

1° Passo – realização de sondagem do terreno para que possa ser determinada a tensão máxima admissível das camadas do subsolo.

2° Passo – elaboração do projeto estrutural a fim de garantir a estabilidade da obra e otimização dos elementos estruturais.

3° Passo – elaboração de um projeto de fundações baseado nos boletins das sondagens previamente executadas e na planta de carga estrutural.

4° Passo – apresentação dos projetos para os construtores que irão orçar a obra para que, baseando-se nesses projetos, apresentem seus preços.

5° Passo – elaboração dos projetos complementares: elétrico e hidrossanitário para o correto dimensinamento desses sistemas.

6° Passo – contratação um engenheiro para fiscalização da obra garantindo assim que a execução seguirá o que foi projetado.